O Poder da Escolha: A Essência do Ser Humano Entre o Divino e o Mundano
São as nossas escolhas que nos definem enquanto seres-no-mundo
A verdadeira essência do ser humano não está apenas nas ações que executamos, mas nas escolhas que fazemos antes de agir. As acções, no fundo, são expressões visíveis de decisões mais profundas, decisões que reflectem quem realmente somos e que se alinham com o propósito que trazemos para esta peregrinação que chamamos vida. O que nos define, portanto, não são os gestos automáticos, mas as escolhas conscientes que fazemos ao longo do nosso caminho. Essas escolhas moldam a trajetória da nossa vida, e influenciam as nossas relações com os outros e com o mundo ao nosso redor.
A capacidade de escolher, o livre-arbítrio, é um dom tão valioso que nem mesmo os anjos, seres divinos e próximos do Criador, possuem. Na sua perfeição, os anjos seguem a vontade divina de forma direta e inquestionável, sem desvio ou hesitação. Contudo, essa mesma perfeição priva-os da liberdade que nos foi concedida. Nós, humanos, lidamos com a incerteza, o erro e a dúvida, mas é justamente essa liberdade, essa possibilidade de escolha, que torna a nossa existência única. É na multiplicidade de opções que o verdadeiro significado do ser humano se revela.
No Tarot, essa dinâmica entre escolha e destino é simbolizada pelos arcanos maiores. Cada carta representa uma etapa da peregrinação humana e espiritual, e funciona como um espelho das energias e potenciais que vivemos. O Tarot não oferece verdades absolutas, mas reflecte caminhos e possibilidades. E, mesmo quando as cartas sugerem desafios ou oportunidades, o poder de escolha permanece nas nossas mãos. Somos nós que decidimos como reagir às energias que nos são apresentadas — podemos abraçá-las como catalisadoras de crescimento ou resistir e opormo-nos àquilo que nos parece desconfortável. No fim, as cartas não determinam o futuro; elas revelam o presente e o potencial, deixando a decisão final sempre connosco.
O arcano do Louco, por exemplo, simboliza o começo de uma jornada, representa esse potencial ilimitado e a liberdade absoluta. Embora ele mostre que todas as possibilidades estão ao nosso alcance, somos nós que decidimos o caminho a seguir. O Mago, por sua vez, simboliza a capacidade consciente de moldar a realidade, mas sem as nossas escolhas, esse poder permanece apenas em potencial.
A Justiça lembra-nos que toda a escolha traz consequências. Assim como a balança que representa este arcano, somos chamados a equilibrar as nossas ações com a clareza moral e a ética necessárias para manter a harmonia, tanto no mundo quanto dentro de nós.
Mesmo o arcano da Roda da Fortuna, que reflecte a inevitabilidade dos ciclos da vida, vem-nos lembrar que, embora certos aspectos da existência sejam imutáveis, temos o livre-arbítrio para escolher como reagimos a esses ciclos. O poder de escolha é sempre nosso, independentemente da direção em que a roda gira, e é ele que determina se agimos com aceitação ou resistência diante dos altos e baixos da vida.
Assim, o Tarot, como um mapa arquetípico da alma humana, reforça a ideia de que a nossa vida é continuamente moldada pelas escolhas que fazemos. Cada arcano maior, do Louco ao Mundo, conta uma parte dessa história de poder transformador que existe em cada um de nós. Somos seres em constante transformação, definidos não pelas cartas que nos são entregues, mas pelas decisões que tomamos com base nas energias que elas reflectem. É nesse poder de escolha que reside a nossa verdadeira liberdade — algo que até os anjos, na sua perfeição, não têm.
